Hoje só tem “textão”! Acabei de completar 2 anos de Japão!

Partida ou chegada?

Cheguei na terra no Sol Nascente no dia 31 de maio de 2018. Sai de um Brasil em pleno caos. Lembram da greve dos caminhoneiros deflagrada em 21 de maio daquele ano? E a falta de gasolina nos postos? Inesquecível… ao menos para mim… parecia cena de filme – Fuga de Nova York misturado com Mad Max (risos!). E mal podia imaginar que nesse ano de 2020 estaríamos vivendo algo muito pior: uma pandemia mundial devido ao novo corona vírus.

Bom… mas cá estou (com vírus ou não) e não pretendo voltar tão cedo às terras Tupiniquins. Saudades? Enormes… mas vou resistir. Morar no Japão tem sido mais do que imaginei. É uma viagem de descobrimento. Mas ao contrário do que fez Cabral, eu voltei “às origens” (nisseis brasileiros entenderão).

Japão 2 anos parte 2 300x300 - Japão: 2 anos comendo fora do Brasil
Sim! Ali no canto sou eu muito bem acompanhada de um maravilhoso teishoku!
Japão 2 anos parte 1 300x300 - Japão: 2 anos comendo fora do Brasil
Monte Fuji… Kobe… Hard Rock Tokyo…

Muito estudo

Nesses dois anos, procurei ao máximo explorar e estudar os ingredientes, experimentar novos sabores… cada ida ao mercado era (e ainda é) uma verdadeira aula de japonês e culinária, pois eu queria (e faço isso até hoje) ler os rótulos, saber o que eu estou comprando, sem cair nas armadilhas do visual (do tipo: comprei porque parecia bom). E tem dado certo! Acho que nunca levei “gato por lebre”. Nunca confundi leite com iogurte ou levar algo doce achando que era salgado. O que acontece é sempre uma descoberta do tipo: ah, é assim que usa? É assim que vem? Nossa… mas no Brasil é diferente…

Japao 2 anos parte 3 300x300 - Japão: 2 anos comendo fora do Brasil
Algumas produções… muito estudo!

Interagindo com nativos e vivendo como um…

No final de 2018, conheci uma japonesa muito simpática que dava aulas de culinária na casa dela. Infelizmente não pude dar continuidade com essas aulas por muito tempo mas as poucas vezes que compareci foram muito interessantes e serviram para me mostrar que o paladar básico do japonês é o Dashi, um “caldo” a base de peixe (katsuoboshi – flocos de peixe bonito) e de algas marinhas (kombu) que pode ser acrescido de cogumelos secos (shiitake), além do shoyu (molho de soja) e o mirim (uma espécie de sakê culinário).

Aprendi a fazer o Dashi de uma forma prática, sem aqueles rituais budistas, xintoístas (brincadeira!) e ainda por cima descobri que tem Dashi vegetariano (quando é feito só com algas e cogumelos, sem o katsuoboshi). Percebi também que assim como no Brasil, cada província ou região tem seu sabor. Uns preferem sabores mais acentuados, mais salgados… outras regiões o tempero puxa mais para o agridoce.

E a sazonalidade? Como é diferente morar num país onde a sazonalidade dos ingredientes é marcante na alimentação, uma verdadeira lição de vida que nos ensina a aproveitar o melhor momento de uma fruta por exemplo.

Já a confeitaria japonesa moderna tem muita influência da confeitaria francesa e os pães aqui tem recheio de anko e yakisoba (risos). Já a comida italiana tem tanta influência nipônica que eu fico com a nossa versão ítalo-brasileira…

Agora, falando em peixes e frutos do mar… ahhh… como são frescos! Estamos num conjunto de ilhas então nada mais óbvio do que você ter abundância nesse tipo de insumo e qualidade. É certo também que eles devem ter muita estrutura para pesca, armazenamento e logística. Se você gosta de peixes como eu e chega a preferi-lo do que outras carnes, aproveite! Vou procurar postar mais receitas com peixes.

Para post 1 198x300 - Japão: 2 anos comendo fora do Brasil
Dá pra acreditar que é comprado em supermercado?
Para post 3 225x300 - Japão: 2 anos comendo fora do Brasil
Esse é de restaurante.

Admiração e gratidão

E tem uma coisa que eu admiro nos japoneses: é tudo muito bem feito. Eles estudam as técnicas. Apesar das influências e adaptações ao paladar local (o que eu acho normal pois afinal… brasileiros também “abrasileiram” as comidas… vide exemplo do temaki… quem já comeu temaki aqui no Japão já percebeu que não tem nada a ver com o temaki brasileiro) os japoneses se esforçam para executar tudo de acordo com as mais renomadas e exigentes técnicas gastronômicas, o que demonstra que eles estudam e buscam conhecimento. É admirável.

E isso foi só o começo… sem falar nas viagens, no hábito de comer marmita no trem-bala, no serviço e em qualquer lugar; nas maquininhas automáticas de bebidas, nos konbinis (lojas de conveniência) que tem de tudo até vinho francês de origem controlada… tento fazer das minhas receitas um diário de vivência (e sobrevivência!) nesse país maravilhoso que nos acolheu. É muita gratidão!

Para post 2 300x225 - Japão: 2 anos comendo fora do Brasil
Uma “boquinha” num ônibus de viagem. Isso é bem japonês.

6 COMENTÁRIOS

  1. Ótima postagem Aemi. É verdade, vejo muito o uso do katsuodashi nas receitas da culinária Japonesa. Depois passa mais dicas e pratos que tem feito e tb dicas para sobreviver aí.

    • Obrigada Márcio! Esse blog é justamente para isso! Receitas, dicas… aqui você não vai passar fome e nem vergonha quando for no mercado.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui