Diante de um posicionamento contrário do governador da província de Shizuoka, a Central Japan Railway Co. (JR Central) deve adiar a inauguração da linha ferroviária de alta velocidade entre Tóquio e Nagoia.

Durante a primeira reunião entre o governador de Shizuoka, Heita Kawakatsu, e o presidente da JR, Shin Kaneko, nesta sexta-feira (26), não houve um acordo para o início das obras, e o prazo de inauguração do trajeto, previsto para 2027, deve ser adiado.

Com o projeto de 9 trilhões de ienes (US $ 84 bilhões), o novo sistema conectará as duas principais metrópoles localizadas a 286 quilômetros de distância em 40 minutos, menos da metade do tempo de viagem dos serviços de trem shinkansen existentes.

Coletiva de imprensa com o presidente da JR Tokai - Impasse ambiental: Shizuoka trava projeto do 'super shinkansen' Tóquio-Nagoia
Coletiva de imprensa com o presidente da JR Tokai (Foto | Ryo Kato)

ENCONTRO

Após a reunião, o governador de Shizuoka reuniu a imprensa para dizer que não aprova o projeto da empresa. Heita Kawakatsu exigiu que a empresa assine um acordo de conservação ambiental com base nos regulamentos da província.

Embora não se oponha ao projeto em si, “precisamos considerar como encontrar um equilíbrio entre o projeto e o meio ambiente”, afirmou o governador.

Especialistas consultados pela província afirmam que a rota planejada do super shinkansen, grande parte da qual é subterrânea ou em túneis, corre o risco de interromper as águas subterrâneas do Rio Oigawa e danificar o ambiente natural nos Alpes do Sul do Japão.

Já a empresa alega que, se o trabalho preparatório não começar em junho desse ano, será difícil iniciar a operação do novo serviço de trem-bala entre Shinagawa (Tóquio) e Nagoya, a maior cidade do centro do Japão e da província, capital de Aichi, conforme programado.

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PREOCUPAÇÕES

Segundo o plano atual, a JR Central pretende escavar uma área montanhosa na província de Shizuoka, conhecida como Alpes do Sul, para construir um túnel para o shinkansen.

Mas os agricultores locais estão preocupados com o fato de que o trabalho de construção faça com que a água subterrânea flua para dentro do túnel e, como resultado, reduza o fluxo de água no rio Oi, que passa pela parte central de Shizuoka, conhecida por seus chás e laranjais.

Em resposta, a JR Central disse que tomará medidas para restaurar a água no rio, incluindo a instalação de túneis e bombas.

MEIO DE CAMPO

Na tentativa de aliviar o impasse, o Ministério dos Transportes, atuando como mediador entre os dois lados, estabeleceu um painel de especialistas cujas discussões sobre o assunto e possíveis medidas para proteger o meio ambiente ainda estão em andamento.

Nesta sexta-feira, o principal porta-voz do governo, Yoshihide Suga, disse:

“Como a abertura programada para 2027 permanece inalterada, é necessário que a JR Central, que é o órgão implementador do projeto, faça o máximo possível”, quando questionada sobre o desacordo de Shizuoka.

O prefeito de Nagoya, Takashi Kawamura, pediu um início antecipado das obras, dizendo a repórteres da prefeitura: “Se atrasado, não haverá nada economicamente bom para Nagoya”.

PROJETO

Após a abertura do novo sistema de trens de alta velocidade, a JR Central planeja estendê-lo a Osaka, no oeste do Japão, em uma segunda fase de construção, com o objetivo de conectar Tóquio e Osaka em 67 minutos.

Enquanto a JR Central espera iniciar operações entre Tóquio e Osaka em 2037, o atraso na abertura da seção Tóquio-Nagóia também pode atrasar o cronograma do projeto de extensão.

O projeto do trem maglev é visto como um segundo link de alta velocidade para as três principais metrópoles do país – Tóquio, Nagoya e Osaka – como um backup para quando a linha shinkansen existente se tornar obsoleta ou danificada por um grande terremoto.

A linha cortará sete prefeituras, mas Shizuoka é a única onde nenhuma estação está planejada.

Fonte | NHK e SBS

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