NAGOYA – Uma universidade médica japonesa afirmou na sexta-feira (10) que um estudo clínico do medicamento antiviral Avigan não demonstrou uma eficácia clara no tratamento de pacientes com coronavírus em um estágio inicial da doença.

A Fujita Health University disse que a diferença observada entre os pacientes que tomaram o medicamento imediatamente e aqueles que o tomaram mais tarde não era estatisticamente relevante na avaliação da eficácia da droga, desenvolvida por uma subsidiária da Fujifilm Holdings Corp.

“Houve uma tendência a reduzir a febre ou erradicar o vírus” naqueles administrados com o medicamento, disse Yohei Doi, professor da universidade que liderou o estudo, durante entrevista coletiva.

Mas ele também disse que a inscrição de 89 pacientes no estudo era muito pequena para produzir uma diferença estatisticamente significativa.

O Avigan, também conhecido como favipiravir, tem sido visto como um possível tratamento para o Covid-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

A Fujifilm Toyama Chemical Co., desenvolvedora do medicamento, está conduzindo separadamente seus próprios testes clínicos do Avigan, com resultados ainda a serem divulgados.

O primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe havia expressado esperança de ver o medicamento caseiro aprovado até o final de maio, mas desistiu da meta depois que o relatório intermediário da universidade, divulgado em meados de maio, não indicava uma eficácia clara no tratamento da doença.

Em Tóquio, o secretário-geral do gabinete, Yoshihide Suga, disse em uma entrevista coletiva: “Não há mudanças em nossa política para aprovar o medicamento se a sua eficácia (contra o coronavírus) e a segurança forem confirmadas”.

O ESTUDO

No estudo da universidade, participaram do estudo 89 pacientes infectados com sintomas leves ou inexistentes, em 47 instalações em todo o Japão.

Excluindo um paciente que decidiu desistir no meio do estudo, 88 foram divididos em dois grupos – um grupo ingeriu o Avigan no primeiro dia do estudo e outro começou a tomar o medicamento a partir do sexto dia.

Os dois grupos foram comparados quanto à porcentagem de pessoas que viram o coronavírus desaparecer de seus corpos, bem como pelo período de tempo que as febres levaram para aliviar.

Daqueles que Avigan administrou desde o primeiro dia, 66,7% viram o vírus desaparecer na manhã do sexto dia, enquanto 56,1% daqueles com doses atrasadas mostraram sinais semelhantes de recuperação na mesma manhã.

Demorou em média 2,1 dias e 3,2 dias para o primeiro e o segundo grupos terem a febre mais baixa, respectivamente, informou a universidade.

Como o Avigan pode inibir a replicação do vírus nas células, os especialistas dizem que ele pode trazer melhorias nos pacientes, mas não pode ser administrado a gestantes ou mulheres com probabilidade de engravidar, pois podem causar defeitos de nascimento.

Fonte | Kyodo

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