O Ministério da Saúde do Japão conduzirá sua primeira pesquisa nacional para analisar como a nova pandemia de coronavírus afetou a saúde mental da população.

A pesquisa on-line será feita com 10 mil pessoas, a partir de setembro, e deverá mostrar como as ações do governo, como pedidos para evitar sair de casa, fechamento de restaurantes, e outras restrições influenciaram em possíveis casos de depressão e outras formas de estresse mental.

Auxílio a futuros casos de doença mental

Os resultados da pesquisa deverão ser utilizados pelos centros locais de saúde mental e bem-estar em todo o Japão para responder a futuros casos de doenças mentais, em meio a um sinal de um ressurgimento das infecções por coronavírus.

O surto, detectado pela primeira vez na cidade chinesa de Wuhan no fim do ano passado antes de se espalhar para o mundo. O Japão foi o segundo país a registrar casos da doença respiratória, e teve um impacto persistente na saúde mental das pessoas em todo o mundo.

As Nações Unidas informaram em maio que 45% da população pesquisada nos Estados Unidos sentiram angústia, e assim pediu à comunidade internacional para que faça muito mais para proteger os mais vulneráveis ​​durante e após a pandemia.

O Ministério da Saúde do Japão vai pedir aos entrevistados que relatem seu estado mental e como eles lidaram com o estresse em abril e maio, quando o governo declarou estado de emergência em todo o país.

Aumento nas consultas de saúde mental

Entre abril e maio, os centros de saúde mental e bem-estar administrados pelos governos locais registraram um aumento nas consultas relacionadas ao coronavírus, principalmente entre as pessoas com 40 e 50 anos, segundo o Ministério da Saúde.

Alguns disseram que não conseguiam dormir bem, sentiam que estavam enlouquecendo devido à ansiedade ou estavam sob estresse ao se absterem de sair.

Uma equipe do ministério encarregada de rastrear grupos, ou grupos de infecções, também recebeu relatos de tentativas de suicídio.

Especialistas observam aumento de pacientes

O psiquiatra Yasuto Kunii, professor associado da Universidade Tohoku, que era membro da equipe do ministério, apontou que a pandemia de coronavírus aumentou o número de pacientes com doenças mentais.

“Provavelmente houve muitos danos entre aqueles que não procuraram orientação médica”, disse Kunii.

Em junho, a Sociedade Japonesa de Psiquiatria e Neurologia e quatro outras comunidades acadêmicas descreveram a pandemia como um “desastre” em suas diretrizes de saúde mental e pediram um apoio mais forte àqueles vulneráveis ​​a problemas de saúde mental, incluindo pacientes com coronavírus, trabalhadores médicos e idosos.

Hirokazu Tachikawa, professor da Universidade de Tsukuba versado em prevenção de suicídio, saudou o projeto do governo, dizendo que o Japão ficou para trás de outros países na realização de pesquisas em larga escala no campo da psiquiatria.

“Espero que (o governo) elabore perguntas para que sejam encontradas contramedidas específicas, em vez de apenas mostrar na pesquisa a porcentagem de pessoas com problemas mentais”, disse Tachikawa.

Fonte e Foto | Kyodo

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