A foto de um casal observando a cidade de Hiroshima, devastada pela bomba atômica em agosto de 1945, ganhou mais um capítulo na história desse trágico momento do Japão.

Na verdade, ganhou mais vida, pois o então rapaz que aparece na imagem se apresentou essa semana como sendo ele o rapaz olhando para Hiroshima um ano após a tragédia.

Kiyoshi Kawaue, de 90 anos, se apresentou para identificar o casal da foto como sendo ele e sua esposa, Yuriko Kawaue, que faleceu em janeiro deste ano com 90 anos.

A foto, encontrada cerca de quatro anos atrás em uma faculdade dos Estados Unidos, agora é parte de um livro publicado recentemente no Japão, pelo professor de pós-graduação da Universidade de Tóquio, Hidenori Watanabe.

Watanabe encontrou a foto, tirada no telhado de uma loja de departamentos no verão de 1946 por um repórter da agência de notícias Kyodo para uma reportagem sobre o primeiro aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, no Centro de Recursos da Paz do Wilmington College, em Ohio (EUA).

hiroshima - Foto de casal observando Hiroshima bombardeada ganha 'vida' 74 anos depois

A história da foto

Kawaue, que costumava trabalhar na criação de ostras, disse que ele e Yuriko se casaram em 1951 e tiveram uma filha.

Quando a foto foi tirada, os dois tinham 16 anos e provavelmente estavam falando sobre os nomes das ilhas do Mar Interior de Seto, disse ele à agência de notícias Kyodo.

A foto chamou a atenção no Twitter em 2018 quando o professor Watanabe a postou no dia 6 de agosto, data do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima, pelo contraste entre o efeito catastrófico da bomba e o jovem casal.

A imagem mostra uma cidade ainda longe de ser reconstruída um ano após o bombardeio, mas de alguma forma transmite “uma mensagem de esperança brotando das cinzas que pode ter impressionado as pessoas”, disse o professor.

Esperança de dias melhores

casalhiroshima - Foto de casal observando Hiroshima bombardeada ganha 'vida' 74 anos depois
(Foto | Kyodo)

Kawaue relembra que perdeu amigos no bombardeio, foi exposto à radiação, como sua esposa, e viu muitos sobreviventes adoecerem com essa exposição.

“Ainda era um campo chamuscado que parecia que a fumaça estava prestes a subir novamente”, disse ele, relembrando a visão na época. Ele disse que se perguntou quando Hiroshima voltaria ao seu estado original.

Ir a um encontro com Yuriko era uma das poucas coisas que ele estava ansioso e isso o deixava feliz apenas andando pela cidade, onde nenhum café ou qualquer outro local poderia ser encontrado pelos casais para um namoro, relembra.

Ver a si mesmo e a Yuriko no álbum de fotos que um conhecido mostrou a ele neste verão foi uma doce surpresa para Kawaue.

Foi a primeira vez que viu a foto porque não tinha recebido uma cópia, embora o repórter que a tirou tivesse prometido enviar uma e pedido o seu endereço. “É tudo graças a viver até os 90 anos”, disse ele.

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