O gabinete do ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, é suspeito de cobrir um déficit de cerca de 8 milhões de ienes (US $ 77.000) gastos em jantares realizados para apoiadores durante seu tempo como líder, informou a agência Kyodo nessa terça-feira (24).

Os promotores questionaram uma das secretárias de Abe e vários outros apoiadores sobre as alegações de que seu escritório pagou ilegalmente uma quantia por cada jantar festivo realizado anualmente entre 2013 e 2019, em hotéis de Tóquio.

O questionamento ocorreu depois que uma ação criminal foi movida em maio contra Abe, o secretário pago pelo estado e seu gestor de fundos por advogados e acadêmicos, alegando que eles infringiram a lei ao não informarem o pagamento da diferença entre os custos totais de cada parte e as contribuições pagas pelos participantes.

Os cerca de 8 milhões de ienes em questão foram supostamente gastos em cinco anos a partir de 2015 para jantares em dois hotéis na capital, onde os custos totais ultrapassaram 20 milhões de ienes, muito maior do que o valor arrecadado com a venda de ingressos.

Cada evento foi organizado por um grupo de apoiadores de Abe na véspera de uma festa anual para ver as flores de cerejeira, outra causa de polêmica para o ex-líder, já que ele foi criticado por convidar centenas de seus apoiadores para os eventos financiados pelos contribuintes.

Os participantes do banquete, muitos dos quais eram eleitores no distrito eleitoral da província de Yamaguchi, pagaram 5.000 ienes cada, embora tais eventos nos hotéis cinco estrelas normalmente custem aproximadamente 11.000 ienes ou mais por pessoa.

Cerca de 800 pessoas compareceram à edição de 2019. E as receitas dos hotéis indicam que o escritório de Abe cobriu o déficit.

A denúncia também alegou que o ex-primeiro-ministro e os outros dois violaram a lei eleitoral ao contribuir para cobrir os custos da reunião, dizendo que isso equivale a comprar votos.

abe part - Gastos milionários em festas particulares colocam Shinzo Abe na mira da promotoria
(Foto | Takeshi Iwashita)

EX-PREMIÊ NEGA AS ACUSAÇÕES

Abe negou no parlamento que seu cargo cobriu o déficit. No entanto, a equipe especial de investigação da promotoria de Tóquio está examinando a documentação do hotel referente aos eventos do jantar.

Nessa segunda-feira, o escritório de Abe divulgou um comunicado dizendo que eles estão “cooperando com a investigação e lidando sinceramente” com o assunto, mas não deu mais detalhes.

Jun Azumi, principal opositor Partido Democrático Constitucional do Japão, disse a repórteres que Abe deveria explicar suas alegações no Parlamento nessa quarta-feira.

Como o atual primeiro-ministro Yoshihide Suga era secretário-chefe do gabinete de Abe, o questionamento do secretário pelos promotores e os desdobramentos dos acontecimentos poderiam desferir um golpe para o novo líder.

Suga disse ao assumir o cargo em meados de setembro que não continuaria com a tradição de organizar festas de observação das flores de cerejeira financiadas pelo Estado.

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